top of page

Por que encerrar ciclos é tão importante?

Foto do escritor: Ateliê Santa Bênção
Ateliê Santa Bênção
8 de jan. de 2022
4 min de leitura

Foto de Designecologist (Pexels)

De imediato a resposta mais simples para essa pergunta é: dar espaço para que novos ciclos possam ser iniciados. Entretanto, o tema vai um pouco além disso.


Encerramentos não costumam ser um processo tão fácil e simples quanto parece. São tantos detalhes e tantas pontas soltas que, muitas vezes, só resta a dúvida: por onde começar? Além disso, esse movimento requer uma tremenda disposição, já que pode gerar muito desconforto antes da tão desejada sensação de alívio. Não é como trocar de roupa. Ele exige reflexões e avaliações sobre muitas das crenças as quais se está vinculado. E, no caso do feminino, esse quadro fica ainda pior, em virtude das pressões sobre os ‘famigerados’ papeis sociais que devem ser exercidos (boa mãe, boa filha, irmã, amiga, profissional, dona de casa...).


Mas, que diabos são esses tais ciclos que todo mundo fala? Buscando no dicionário, é possível encontrar diversas definições para as mais variadas áreas. Porém, de modo geral, conclui-se que ciclos são os “espaços de tempo durante o qual ocorre e se completa, com regularidade, um fenômeno ou um fato, ou uma sequência de fenômenos ou fatos em uma ordem determinada.” Ou seja, são processos naturais da vida que todos enfrentam inevitavelmente, como sair da infância para a adolescência, sair da casa dos pais para morar sozinha, passar pelo rito do casamento, separar, trocar de emprego, terminar um relacionamento, entre outros.


Assim, compreende-se que todo ciclo que se inicia, precisará ser finalizado. E, é neste ponto que surge o primeiro dilema: nem sempre os términos são tão simples e óbvios. Então, o que é possível fazer para encerrar os processos que atingiram seu ponto máximo?

Quando eles se apresentarem como um desafio e houver obstáculos no encerramento, seja lá pela complexidade da situação ou pela dificuldade em encontrar as saídas, o melhor a fazer é buscar ajuda especializada. Fazer terapia é uma forma de encontrar o suporte necessário para compreender quais as dificuldades existentes no processo de finalização e porque ficamos tão presos diante delas. O terapeuta (psicólogo ou psicanalista) tem as ferramentas adequadas para direcionar a jornada de autoconhecimento. Caso, haja dificuldade financeira para buscar o auxílio terapêutico, saiba que existem diversos profissionais e organismos (públicos ou privados) que oferecem atendimento social ou gratuito, como o SUS, as faculdades de psicologia e os Institutos de psicanálise.


Outro ponto importante, é entender que o passado é um tempo que se foi e tudo foi feito da melhor maneira possível, com as ferramentas que estavam à disposição. Com certeza, o melhor foi realizado e não há por que se ligar a cobranças desnecessárias. Agora, é o momento de iniciar a escrita de um novo capítulo (ou até mesmo um novo volume) da trajetória que se apresenta a frente!


É preciso sempre lembrar que finalizar um ciclo é garantir a oportunidade de crescimento. Agarrar a nova chance e encará-la de frente, é um passo importante para o fortalecimento pessoal.


Desprender daquilo que não tem mais sentido ou importância, é fundamental para a saúde mental e emocional. Não há razão em alimentar apegos que só criam amarras e até pesos extremamente difíceis de serem suportados. Priorizar apenas o essencial, é assegurar a liberdade de ir, ser e agir conforme se deseja.


Compreender que estabilidade nem sempre significa segurança também é importante para a reflexão sobre o encerramento de ciclos. É comum confundir comodismo com estabilidade e segurança, justamente pelo medo de se abrir para o novo, para aquilo que é desconhecido e que não oferece certeza alguma do que está por vir. Realmente o novo pode ser muito assustador, mas quando é elaborado um planejamento consciente (avaliando os prós e contras da nova etapa) é possível garantir uma mudança com menos sofrimento e angústia - inclusive, dependendo da situação é importante buscar uma rede de apoio para auxiliar nesse processo.


Encerrar etapas sem medo de julgamentos alheios é mais do que necessário. Nas finalizações não é possível haver espaço para a preocupação com o que os outros dirão. Infelizmente, julgar é uma atitude natural do ser humano, o segredo está em aceitar que isso ocorrerá independente da vontade pessoal. Portanto, o melhor a fazer é arriscar-se, optando por tomar as rédeas da situação em suas mãos. Mesmo que a pessoa julgadora seja alguém de grande importância, não é possível se prender a opinião de quem não está vivendo o problema na carne. Se o desejo (ou necessidade) de mudança for real, faça do julgador um aliado nessa transformação (na medida do que for possível).


Erros possivelmente ocorrerão, mas mantenha a coragem e não desista, pois eles se transformarão em um exercício de conscientização do poder pessoal e da capacidade de se reinventar.


Respeitar o passado é outro fator importante, porque graças a ele foi possível chegar até aqui. Aliás, o passado é uma excelente oportunidade de avaliar erros e acertos. Porém, é essencial buscar ajudar nesse processo para não correr o risco de cair nas mesmas armadilhas. Sempre haverá algo do passado que permanecerá internalizado, mas isso pode ser ressignificado, trabalhando a aceitação que servirá de ponto de apoio para não retornar a etapa anterior e, assim, possibilitando a chegado do novo.


Por mais doloroso que possa ser o encerramento de qualquer tipo de ciclo, é relevante perceber que a permissão para que cada coisa encontre seu lugar e espaço devidos significa dar vazão ao fluxo natural da vida. Sendo assim, jogue as bagagens na beira da estrada, olhe para cada uma delas, avaliando o que há dentro e deixe no caminho tudo o que não faz mais sentido. Pois carregar peso extra só atrapalha o caminhar e deixa a viagem mais exaustiva!



Copyright © 2022 Todos os direitos reservados. Este texto ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, da autora ou editor.

Comentários


©2020 por Ateliê Santa Benção®.

  • Instagram
  • Facebook
bottom of page