Ervas e Consciência ambiental: trabalhar com ervas também é um ato político!


Você está preparada(o) para essa conversa? Caso não seja a pessoa que possui um espaço específico para cultivar as próprias plantas, as questões apresentadas nesse texto são fundamentais para a reflexão sobre os modelos de cultivo das ervas que estamos estimulando.
Já parou para pensar sobre as ervas que chegam às suas mãos? Conhece a procedência delas? Qual o caminho que percorreram até você? Já pensou na mão de obra utilizada no processo de cultivo dessas plantas? Alguma vez já chegou a pensar em como se dá o constante fornecimento de ervas que estão fora da época?
Seja para nossa alimentação ou para o cultivo de plantas medicinais, a agricultura - dentro do modelo convencional - é responsável pela maior parte do desmatamento no planeta (próximo aos 80%). O problema é que tais áreas são essenciais para manter e preservar o ciclo natural do planeta, evitando desastres ambientais que causam danos irreversíveis ao ambiente, em alguns casos. Optar por formas de consumo menos impactantes para o meio ambiente é primordial para a qualidade de vida de todos os seres do planeta. Portanto, verificar a procedência das ervas que chegam até você é imprescindível!
Apoiar modelos de agricultura familiar orgânica contribui para a valorização do trabalho de pequenos produtores e, principalmente, para a qualidade dos produtos utilizados nos atendimentos terapêuticos ou na produção de fitoterápicos. Além disso, para aqueles que trabalham com as ervas de maneira energética/vibracional é importante levar em consideração qual é o tipo de energia e cuidados envolvidos no processo de cultivo, pois isso influenciará no resultado final do trabalho - vale lembrar que tudo no universo é energia e que fazemos parte dessa teia, portanto a Terra não está desvinculada disso.
Procurar por produtores que utilizem o sistema agroflorestal (que respeita o ciclo natural das espécies, preservando o equilíbrio do meio ambiente), estimulando formas de cultivo sustentáveis é o primeiro passo para a mudança que tanto desejamos ver no planeta. Repensar a forma como lidamos com as ervas sagradas se faz urgente!

Temos muitas responsabilidades com a Terra: entender sua importância, conhecer os cuidados e deveres que temos com ela, refletir sobre a relação do planeta com o mundo das ervas e o porquê de olharmos assuntos que nos parecem pouco confortáveis ou óbvios ao adentrarmos o universo das plantas. Compreender que o ofício de erveira(o) e/ou raizeira(o) é um ato político deveria ser o compromisso de todos que possuem essa qualificação (ou se nomeiam como tal). É inadmissível fecharmos os olhos para questões tão importantes dentro da causa ambiental, como: sustentabilidade, efeito estufa, chuva ácida, higiene ambiental, dentre outras. A razão dessa preocupação? É simples: a falta de informação e conhecimento sobre tais temas pode nos levar à beira da extinção humana.
Uma visão um pouco trágica? Talvez. Mas, a questão é bem simples: de nada adianta cuidar apenas da horta que temos em nosso quintal, enquanto todo o planeta padece com a destruição em massa causada por ações humanas. Fato é: se a Terra perecer... nós perecemos e com um agravante – não possuímos o mesmo poder regenerador da Mãe Terra. Vermo-nos como seres integrantes da natureza é ação de máxima urgência para que ocorra nossa reconexão com esse universo. Estar consciente dessa ligação é fundamental para a boa saúde psicológica e física dos indivíduos. Diversos estudos já comprovaram tal fato, como o publicado na revista Nature (2019) mostrando que o contato com a natureza aumenta a sensação de bem-estar, influenciando no bom humor e aliviando os sintomas da depressão e ansiedade. As pessoas mais conectadas a natureza são mais felizes, têm mais disposição e percebem com maior clareza o significado das próprias vidas.
Se estar em constante contato com a natureza é algo benéfico para nós, porque nos distanciamos de algo favorável para nossa existência? É possível justificar tal fato ao olharmos de forma crítica como se deu o desenvolvimento das sociedades a partir da Revolução Industrial (séculos XVIII e XIX) na Europa. Hoje, sofremos as consequências do consumo desenfreado e da produção insana de materiais para sustentar um mercado consumidor voraz que não se preocupa com as questões ambientais. O que estamos fazendo com a natureza e como somos capazes de acreditar que sairemos ilesos desta situação sem mudar nosso padrão de comportamento? São dois questionamentos que merecem nossa atenção e reflexão. No dia 29 de julho de 2021, chegamos a data limite de sobrecarga da Terra, ou seja, o homem usou todos os recursos naturais que o planeta conseguiu regenerar em um ano. Se continuarmos nessa batida, qual será o futuro da humanidade no globo terrestre? Pense nisso!
Copyright © 2018 Todos os direitos reservados. Este texto ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, da autora ou editor.
.



Comentários